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Questão 40649

UEM 2017
Filosofia

(UEM - 2017)

Observe a seguinte afirmação sobre a filosofia de Espinosa (1632-1677):

“A filosofia procura explicar tanto a ordem do real como a posição do homem nessa ordem (o que para nós é o bem e o mal) sem o recurso a nenhum mistério e nenhuma arbitrariedade. Isso significa encontrar o porquê do real, do bem e do mal sem ter que apelar para a opinião dos outros, à própria opinião ou mesmo à própria experiência, se elas forem insuficientes para mostrar as razões de aceitarmos nossos julgamentos. Apenas serão aceitos como filosóficos os julgamentos fundados na experiência suficiente para demonstrarmos o que julgamos, na razão ou, enfim, na compreensão intelectual daquilo que julgamos.”

VIEIRA NETO, P. Espinosa. In: MARÇAL, J. Antologia de textos filosóficos. Curitiba: SEED-PR, p. 193 e 194.

A partir da leitura do excerto, assinale o que for correto.

I - O juízo humano é uma opinião, pois a experiência é insuficiente para conhecer a verdade.
II - O entendimento humano dos fenômenos do mundo é impossível, pois depende da vontade de Deus.
III - O intelecto humano tem preponderância sobre a experiência empírica, pois Espinosa é um filósofo racionalista.
IV - O conhecimento do bem e do mal corresponde às ordenações humanas que o entendimento descobre no mundo.
V - O conhecimento sensível é suficiente para a operação racional que produz os juízos do entendimento humano.

Assinale:

A

V, F, V, V, F.

B

V, V, V, V, F.

C

F, V, F, V, V.

D

F, F, V, V, F.

E

F, F, V, F, V.

Gabarito:

F, F, V, V, F.



Resolução:

dF, F, V, V, F.

 

I - Incorreta. O juízo humano é uma opinião, pois a experiência é insuficiente para conhecer a verdade.
o próprio texto afirma que os julgamentos que se fundamentam na experiência podem ser aceitos como filosóficos, portanto, caminhos para a verdade. "Apenas serão aceitos como filosóficos os julgamentos fundados na experiência suficiente para demonstrarmos o que julgamos [...]”

II - Incorreta. O entendimento humano dos fenômenos do mundo é impossível, pois depende da vontade de Deus.
Spinoza não compartilha dessa opinião da afirmativa e nem o texto sugere que o entendimento humano acerca dos fenômenos depende da vontade de Deus. 

III - Correta. O intelecto humano tem preponderância sobre a experiência empírica, pois Espinosa é um filósofo racionalista.
Como o próprio texto demonstra, a experiência ou é recusada, assim como a opinião, ou é utilizada para confirmar os raciocínios deduzidos da razão.

IV - Correta. O conhecimento do bem e do mal corresponde às ordenações humanas que o entendimento descobre no mundo.
Como Espinosa coloca, o conhecimento do bem e do mal corresponde se dá sem o recurso a nenhum mistério e nenhuma arbitrariedade. O seu monismo compreende uma identidade entre o mundo e Deus, uma única substância.

V - Incorreta. O conhecimento sensível é suficiente para a operação racional que produz os juízos do entendimento humano.
Spinoza aponta que a experiência só pode explicar o porquê do bem e do mal se ela fundamentar as inferências do intelecto, ou seja, o conhecimento sensível só pode ser verdadeiro se confirmar o que a razão descobre e percebe do mundo. Assim, não se pode afirmar que o conhecimento sensível é suficiente para a operação racional e produção de juízos, mas sim que a experiência só pode explicar a realidade se confirmar a "compreensão intelectual daquilo que julgamos.”

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