(UEL - 2019)
Leia o texto a seguir.
Por que só o homem é suscetível de tornar-se imbecil? [...] O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. Trad. Lourdes Santos Machado, 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. pp. 243; 259.
Com base nos conhecimentos sobre sociedade civil, propriedade e natureza humana no pensamento de Rousseau, assinale a alternativa correta.
A instauração da propriedade decorre de um ato legítimo da sociedade civil, na medida em que busca atender às necessidades do homem em estado de natureza.
A instauração da propriedade e da sociedade civil cria uma ruptura radical do homem consigo mesmo e de distanciamento da natureza.
A fundação da sociedade civil é legitimada pela racionalidade e pela universalidade do ato de instauração da propriedade privada.
O sentimento mais primitivo do homem, que o leva a instituir a propriedade, é o reconhecimento da necessidade da propriedade para garantir a subsistência.
A sociedade civil e a propriedade são expressões da perfectibilidade humana, ou seja, da sua capacidade de aperfeiçoamento.
Gabarito:
A instauração da propriedade e da sociedade civil cria uma ruptura radical do homem consigo mesmo e de distanciamento da natureza.
b) Correta. A instauração da propriedade e da sociedade civil cria uma ruptura radical do homem consigo mesmo e de distanciamento da natureza.
Rousseau compreendia positivamente o homem no estado de natureza, que, segundo ele, o homem é bom por natureza, e era feliz, cujas únicas paixões eram os instintos naturais, os quais podiam ser facilmente satisfeitos. A natureza não levaria o ser humano a viver em sociedade, pois ele viveu por muito tempo solitário e independente, feliz e em estado de bem-estar. Nesse sentido, a sociedade civil representa uma ruptura do homem consigo próprio e com sua natureza.
O homem, bom por natureza, foi corrompido pela sociedade, e nasceu livre, mas é agrilhoado pela artificialidade social que corrompe o seu coração com a vaidade e o escraviza em suas necessidades. A constante preocupação com o mundo das aparências, com o próprio status e o orgulho, são produzidos pela insegurança de cada indivíduo em relação aos outros, que acarreta na busca por poder e riquezas a fim de superar e dominar seus semelhantes. Por último, a desigualdade social, política e moral fundamenta-se na noção de propriedade privada criada pelo homem.
Verificando, então, todos os problemas desencadeados a partir da convivência e formação de grupos, Rousseau pensa uma saída para preservar a liberdade natural do homem e, ao mesmo tempo, garantir a segurança e o bem estar da vida em sociedade: seria necessário um contrato social que estabelecesse a soberania popular, a soberania política da vontade coletiva.
a) Incorreta. A instauração da propriedade decorre de um ato legítimo da sociedade civil, na medida em que busca atender às necessidades do homem em estado de natureza.
A instauração da propriedade privada não busca atender às necessidades do homem em estado de natureza.
c) Incorreta. A fundação da sociedade civil é legitimada pela racionalidade e pela universalidade do ato de instauração da propriedade privada.
A fundação da sociedade civil é legitimada pelo contrato social.
d) Incorreta. O sentimento mais primitivo do homem, que o leva a instituir a propriedade, é o reconhecimento da necessidade da propriedade para garantir a subsistência.
O que leva o homem a instituir a propriedade é a vaidade e a insegurança, não sendo uma necessidade para sua subsistência.
e) Incorreta. A sociedade civil e a propriedade são expressões da perfectibilidade humana, ou seja, da sua capacidade de aperfeiçoamento.
A sociedade civil é marcada pela corrupção e pela desigualdade; a propriedade é uma expressão da corrupção do homem, que se sente desconfiado de seus semelhantes e procura superá-los.