(UEL - 2017)
Leia o texto a seguir:
Podemos definir uma causa como um objeto, seguido de outro, tal que todos os objetos semelhantes ao primeiro são seguidos por objetos semelhantes ao segundo. Ou, em outras palavras, tal que, se o primeiro objeto não existisse, o segundo jamais teria existido. O aparecimento de uma causa sempre conduz a mente, por uma transição habitual, à ideia do efeito; disso também temos experiência. Em conformidade com essa experiência, podemos, portanto, formular uma outra definição de causa e chamá-la um objeto seguido de outro, e cujo aparecimento sempre conduz o pensamento àquele outro. Mas, não temos ideia dessa conexão, nem sequer uma noção distinta do que é que desejamos saber quando tentamos concebê-las.
(Adaptado de: HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. Seção VII, 29. Trad. José Oscar de Almeida Marques. São Paulo: UNESP, 2004. p.115.)
Com base no texto e nos conhecimentos acerca das noções de causa e efeito em David Hume, assinale a alternativa correta.
As noções de causa e efeito fazem parte da realidade e por isso os fenômenos do mundo são explicados através da indicação da causa.
A presença do efeito revela a causa nele envolvida, o que garante a explicação de determinado acontecimento.
A causa e o efeito são noções que se baseiam na experiência e, por meio dela, são apreendidas.
A causa e o efeito são conhecidos objetivamente pela mente e não por hábitos formados pela percepção do mundo.
A causa e o efeito proporcionam, necessariamente, explicações válidas sobre determinados fatos e acontecimentos.
Gabarito:
A causa e o efeito são noções que se baseiam na experiência e, por meio dela, são apreendidas.
c) Correta. A causa e o efeito são noções que se baseiam na experiência e, por meio dela, são apreendidas.
O filósofo situa-se na perspectiva empirista, e, por isso, não acredita que haja conceitos inatos na mente, isto é, nenhuma ideia a priori, pois todas as nossas ideias, para Hume, são adquiridas por meio da experiência sensorial. Quando Hume vai questionar a problemática da causa e efeito, está colocando essa crítica contra uma escola de pensamento, o racionalismo — oposto ao empirismo; o racionalismo, por sua vez, defende a existência de ideias inatas e necessárias, como a matemática.
O conceito de causa e efeito é construído a partir de uma noção apriorística da experiência; explicando melhor, julgamos as nossas experiências, que algo causa outro algo, e que aquilo é causado por isto, por meio de uma noção racional que é anterior à experiência. Toda noção, por sua vez, é uma abstração, ou seja, é algo que é sempre necessário e universal; explicando, a relação de causa e efeito, por ser uma noção, sempre irá ocorrer, ou seja, o sol (causa) sempre irá aquecer uma pedra (efeito). Isso que eu expliquei é afirmado pela visão racionalista.
O que o Hume quer fazer é questionar justamente essa ideia, afirmando que a noção adquirida de causa e efeito não foi da razão pura, mas de uma experiência da realidade. Porém, ele entende que, pela experiência, não podemos determinar se um conceito é universal e necessário, que irá ocorrer sempre; por exemplo, pela experiência somente, não consigo afirmar que o sol irá aquecer para sempre, no futuro, a pedra. Então, numa posição bem radical, ele vai afirmar que toda noção de relação de causa e efeito é apenas um hábito da mente por ver sempre a mesma coisa ocorrendo.
a) Incorreta. As noções de causa e efeito fazem parte da realidade e por isso os fenômenos do mundo são explicados através da indicação da causa.
As noções de causa e efeito não fazem parte da realidade, são hábitos mentais.
b) Incorreta. A presença do efeito revela a causa nele envolvida, o que garante a explicação de determinado acontecimento.
Causa e efeito são apenas experiências repetidas de um acontecimento.
d) Incorreta. A causa e o efeito são conhecidos objetivamente pela mente e não por hábitos formados pela percepção do mundo.
A causa e o efeito são conhecidos por hábitos formados pela percepção do mundo.
e) Incorreta. A causa e o efeito proporcionam, necessariamente, explicações válidas sobre determinados fatos e acontecimentos.
A causa e o efeito não proporcionam, necessariamente, explicações válidas sobre determinados fatos e acontecimentos.