(UEL 2013)
Observe a figura e leia o texto a seguir.
A crise da razão se manifesta na crise do indivíduo, por meio da qual se desenvolveu. A ilusão acalentada pela filosofia tradicional sobre o indivíduo e sobre a razão – a ilusão da sua eternidade – está se dissipando. O indivíduo outrora concebia a razão como um instrumento do eu, exclusivamente. Hoje, ele experimenta o reverso dessa autodeificação.
(HORKHEIMER, M. Eclipse da razão. São Paulo: Centauro, 2000, p.131.)
Com base na figura e nos conhecimentos sobre a crise da razão e do indivíduo na contemporaneidade, em Horkheimer, considere as afirmativas a seguir.
Assinale a alternativa correta.
Somente as afirmativas I e II são corretas.
Somente as afirmativas I e IV são corretas.
Somente as afirmativas III e IV são corretas.
Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
Gabarito:
Somente as afirmativas I e IV são corretas.
Segundo a razão instrumental, o único critério da razão é sua utilidade. Assim, a ideia da verdade depende meramente das preferências subjetivas do indivíduo e busca sempre a dominação sobre a natureza, sobre os seres humanos e sobre o próprio indivíduo, e este, tornando-se conformista, permite que seus comportamentos sejam determinados unicamente pelos interesses econômicos, ideológicos e políticos de uma sociedade cega. Como a razão instrumental passa a ser o critério para as questões da moralidade, os ideais da sociedade (como, por exemplo, o ideal da democracia) se tornam dependentes dos interesses das pessoas, em vez de dependerem da razão objetiva.
Horkheimer acredita que tudo isso se dá em nome de um ego abstrato e de uma natureza vazia, ou seja, o homem é 100% motivado pela autopreservação. A crise do indivíduo acontece na instância da contemporaneidade e leva o homem a descobrir que o mundo não é o que ele pensava e, ao mesmo tempo, a adotar o novo mundo como burguês: ao desejar que sua preservação seja determinada pela quantidade de coisas que possui, suas ações passam a ser motivadas por isso e somente isso, eliminando então a sua individualidade.
CORRETAS:
I. A fragmentação é um componente da crise da razão e do indivíduo. Embora continue havendo uma representação do indivíduo (sujeito), ela não será plena, completa, pois, não sendo mais legítimo apelar para qualquer processo de totalização, a fragmentação aparecerá como inevitável.
IV. As ciências humanas se desenvolvem no âmbito da crise de eficiência explicativa da filosofia especulativa, chamada por Horkheimer de “filosofia tradicional”. Um dos pressupostos que a acompanha é a recusa às explicações racionais totalizadoras. Com isso, tornam-se cada vez mais problemáticas as explicações que apelam a uma ideia universal de homem.
INCORRETAS:
II. Não há mais a possibilidade de subjugar o particular ao geral (determinar o individual no universal), em que a objetividade do particular seria garantida pela objetividade do geral. Essa simetria não é mais válida, desaparecendo as ideias de micro e macrocosmo. Com isso, deixa de funcionar a ideia reguladora de ordem.
III. O indivíduo (sujeito) não é mais pensado a partir da unidade, razão pela qual nenhuma das suas funções é pensada a partir de processos de totalização. Por isso tais limitações não resultam de uma mera insuficiência da linguagem, em que o indivíduo apreenderia o sentido do mundo, mas não teria os meios para comunicar tal conhecimento.