(UEL - 2007)
De acordo com seu conhecimento sobre a ética de Spinoza, é correto afirmar:
A necessidade não se aplica às ações livres do homem.
O homem virtuoso procura agir com compaixão.
A felicidade é o prêmio da virtude, pois a ação virtuosa tem como recompensa a felicidade.
Quanto mais um homem se esforça por preservar o seu ser, mais ele é virtuoso.
O homem é mais livre na solidão, pois aí ele só obedece a si mesmo.
Gabarito:
Quanto mais um homem se esforça por preservar o seu ser, mais ele é virtuoso.
d) Correta. Quanto mais um homem se esforça por preservar o seu ser, mais ele é virtuoso.
A Ética de Spinosa indica que o homem não busca a virtude por outra razão que não pela sua conatus à auto-preservação (inclinação inata a continuar a existir e se aprimorar). Assim, a felicidade é a virtude que chega ao homem que se aprimora (quanto mais busca preservar seu ser, mais virtuoso [feliz] é).
a) Incorreta. A necessidade não se aplica às ações livres do homem.
A necessidade é intrínseca a toda ação livre do homem. "Diz-se livre, a coisa que existe exclusivamente pela necessidade de sua natureza e que por si só é determinada a agir” – Espinosa, Ética I, def. 7
b) Incorreta. O homem virtuoso procura agir com compaixão.
Espinosa concebe a compaixão como algo que pode tornar muito fraco o ser: nada de bom pode advir da tristeza bem intencionada e agir pela compaixão é ser movido pela impotência. Denomina este afeto de comiseração: "A comiseração, no homem que vive sob a condução da razão é, em si, má e inútil” (– Espinosa, Ética IV, prop. 50) e continua: "Disso se segue que o homem que vive pelo ditame da razão se esforça, tanto quanto pode, por não ser tocado pela comiseração” (– Espinosa, Ética IV, prop. 50, corolário).
c) Incorreta. A felicidade é o prêmio da virtude, pois a ação virtuosa tem como recompensa a felicidade.
"[...] a felicidade não é prêmio da virtude, mas é a própria virtude." – Espinosa, Ética V, prop. 42
e) Incorreta. O homem é mais livre na solidão, pois aí ele só obedece a si mesmo.
"O homem que se conduz pela razão é mais livre na sociedade civil, onde vive de acordo com as leis comuns, do que na solidão, onde obedece apenas a si mesmo.” – Espinosa, Ética IV, prop. 73