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Questão 27674

UEG 2017
Português

Um sonho

 

Eu tive um sonho esta noite que não quero esquecer,

por isso o escrevo tal qual se deu:

era que me arrumava para uma festa onde eu ia falar.

O meu cabelo limpo refletia vermelhos,

o meu vestido era num tom de azul, cheio de panos, lindo,

o meu corpo era jovem, as minhas pernas gostavam

do contato da seda. Falava-se, ria-se, preparava-se.

Todo movimento era de espera e aguardos, sendo

que depois de vestida, vesti por cima um casaco

e colhi do próprio sonho, pois de parte alguma

eu a vira brotar, uma sempre-viva amarela,

que me encantou por seu miolo azul, um azul

de céu limpo sem as reverberações, de um azul

sem o ‘z’, que o ‘z’ nesta palavra tisna.

Não digo azul, digo bleu, a ideia exata

de sua seca maciez. Pus a flor no casaco

que só para isto existiu, assim como o sonho inteiro.

Eu sonhei uma cor.

Agora, sei.

PRADO, Adélia. Bagagem. 26. ed. Rio de Janeiro: Record, 2007. p. 75.

Tanto o poema quanto a pintura:

A

realizam uma leitura de aspectos sociais com base em representações artísticas de viés intimista.

B

distanciam-se de um retrato objetivo da realidade ao se aterem à representação de cenas de teor onírico.

 

C

utilizam a arte para abordarem questões coletivas nas quais as experiências do presente são ressignificadas.

D

inserem-se no que se pode denominar de arte engajada, na medida em que tematizam ideais de igualdade social.

E

colocam em xeque o papel da memória como matéria de arte, ao se constituírem como formas artísticas que dela prescindem.

Gabarito:

distanciam-se de um retrato objetivo da realidade ao se aterem à representação de cenas de teor onírico.

 



Resolução:

[B]

O poema presente na questão, de Adélia Prado, é modernista. Já a pintura de Salvador Dalí é surrealista, corrente artística moderna da qual o pintor é representante:

O surrealismo foi por excelência a corrente artística moderna da representação do irracional e do subconsciente.

Este movimento artístico surge todas às vezes que a imaginação se manifesta livremente, sem o freio do espírito crítico, o que vale é o impulso psíquico. Os surrealistas deixam o mundo real para penetrarem no irreal, pois a emoção mais profunda do ser tem todas as possibilidades de se expressar apenas com a aproximação do fantástico, no ponto onde a razão humana perde o controle.

A alternativa B, portanto, é a resposta correta para a questão.

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