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Questão 63885

UEA 2017
Filosofia

Pensemos num cavalo diante de nós. Então perguntemos: o que é isso? Platão diria: “Esse animal não possui nenhuma existência verdadeira, mas apenas uma aparente, um constante vir-a-ser. Verdadeiramente é apenas a Ideia, que se estampa naquele cavalo, que não depende de nada, nunca veio-a-ser, sempre da mesma maneira. Enquanto reconhecemos nesse cavalo sua Ideia, é por completo indiferente se temos aqui diante de nós esse cavalo ou seu ancestral. Unicamente a Ideia do cavalo possui ser verdadeiro e é objeto do conhecimento real”. Agora, deixemos Kant falar: “Esse cavalo é um fenômeno no tempo, no espaço e na causalidade, que são as condições a priori completas da experiência possível, presentes em nossa faculdade de conhecimento, não determinações da coisa-em-si. Para saber o que ele pode ser em si, seria preciso outro modo de conhecimento além daquele que unicamente nos é possível pelos sentidos e pelo entendimento.”

(Arthur Schopenhauer. “Sobre as ideias”. Metafísica do belo, 2003. Adaptado.)

Na perspectiva kantiana, o conhecimento possível do cavalo revela que

A

a razão, atribuída ao homem por um Deus bom e justo, é ilimitada.

B

o espaço e o tempo são as condições do conhecimento da coisa-em-si.

C

a mente limita-se a receber passivamente as marcas dos objetos empíricos.

D

as categorias do entendimento permitem o conhecimento do mundo inteligível.

E

os princípios do entendimento são aplicados ao mundo sensível.

Gabarito:

os princípios do entendimento são aplicados ao mundo sensível.



Resolução:

e) Correta. os princípios do entendimento são aplicados ao mundo sensível.
O mundo é coincidente com a nossa estrutura de apreendê-lo, pois Kant retorna o problema do conhecimento para o sujeito, tomando como o centro do conhecimento. Kant supõe que o que temos é a faculdade racional, as noções de espaço, tempo e as categorias (um inatismo que se opõe ao empirismo), que são uma condição de possibilidade da experiência. Porém, não há conhecimento sem experiência; temos apenas as condições inatas para a experiência, mas o conhecimento do que é possível conhecer só se dá por meio da experiência (vinculando o empirismo). Ou seja, também a experiência não produz a ideia, mas é a ocasião para que a ideia seja formulada pela razão, dando forma à matéria. As noções de espaço e tempo são duas categorias universais intuídas puramente pela razão, como formas puras, e não pela experiência, pois são condições para o entendimento da experiência.

 

a) Incorreta. a razão, atribuída ao homem por um Deus bom e justo, é ilimitada.
A razão não é atribuição divina ao homem tampouco ilimitada para Kant, pois não pode se aventurar pelo âmbito da metafísica ou da coisa em si.

b) Incorreta. o espaço e o tempo são as condições do conhecimento da coisa-em-si.
O espaço e o tempo não são as condições do conhecimento da coisa-em-si, poisa a coisa-em-si não pode ser conhecida. Quanto às noções de espaço e tempo, são duas categorias universais intuídas puramente pela razão, como formas puras, e não pela experiência, pois são condições para o entendimento da experiência. Por que? Pode-se imaginar uma cadeira ou um livro sem um espaço no qual possa situar, por isso o espaço é condição de toda sensação. Da mesma maneira, não se pode imaginar algo fora da realidade temporal, dessa estrutura de mudança e movimento.
O espaço é uma condição subjetiva para que os objetos sejam intuídos externamente pela sensibilidade, segundo o fenômeno e não a coisa em si. A representação do espaço é uma condição subjetiva.
O tempo é a condição de possibilidade de movimento, uma intuição por meio da qual o ser humano percebe transformações na natureza, mudanças de estado dos objetos mundanos. O tempo é uma forma pura da intuição sensível, ou seja, o tempo não se atribui a um objeto específico, a sua representação é ilimitada. É, portanto, condição para unificação da diversidade, tanto dos fenômenos internos quanto dos fenômenos externos.

c) Incorreta. a mente limita-se a receber passivamente as marcas dos objetos empíricos.
Essa é a perspectiva empirista, mas a proposta crítica de Kant coloca o sujeito como centro do conhecimento, numa postura ativa na recepção do conteúdo dos sentidos.

d) Incorreta. as categorias do entendimento permitem o conhecimento do mundo inteligível.
Não do mundo inteligível, mas das coisas sensíveis.

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