(Mackenzie 1997)
NINGUÉM:
Tu estás a fim de quê?
TODO MUNDO:
A fim de coisas buscar
que não consigo topar.
Mas não desisto,
porque o cara tem de teimar.
NINGUÉM:
Me diz teu nome primeiro.
TODO MUNDO:
Eu me chamo Todo Mundo
e passo o dia e o ano inteiro
correndo atrás de dinheiro,
seja limpo ou seja imundo.
BELZEBU:
Vale a pena dar ciência
e anotar isto bem,
por ser fato verdadeiro:
que Ninguém tem consciência,
e Todo Mundo, dinheiro.
No trecho, Carlos Drummond de Andrade reconstruiu, com nova linguagem, parte de um texto de importante dramaturgo da língua portuguesa.Trata-se de:
Gil Vicente.
Dom Diniz.
Luís Vaz de Camões.
Sá de Miranda.
Fernão Lopes.
Gabarito:
Gil Vicente.
No trecho do poema, podemos perceber uma clara alusão de Drummond a uma peça de Gil Vicente, o Auto da Lusitânia. Nessa peça, temos os personagens Todo Mundo e Ninguém, assim como na poesia drummoniana. “Todo o Mundo” e “Ninguém” são personagens alegóricas.Aquela de um homem cheio de ganância, vaidade, superioridade, mentira, bajulação e esperteza. E a outra caracterizada através de traços como humildade, virtuosidade, consciência, modéstia, verdade e franqueza, para demonstrar que praticamente ninguém é assim no mundo. Dessa maneira, a alternativa correta é a letra [A].