(ITA - 2011 - 1ª FASE)
O poema abaixo, “Gioconda (Da Vinci)”, de Carlos Drummond de Andrade, refere-se a uma célebre tela renascentista:
O ardiloso sorriso
alonga-se em silêncio
para contemporâneos e pósteros
ansiosos, em vão, por decifrá-lo.
Não há decifração. Há o sorriso.
(Em: Farewell. Rio de Janeiro: Record, 1996)
NÃO se pode afirmar que o poema
faz uso de metalinguagem num sentido amplo, pois é uma obra de arte que fala de outra.
procura se inserir no debate que a tela Gioconda provoca desde a Renascença.
mostra que são inúmeros os significados do sorriso da Gioconda.
garante não haver razão alguma para a polêmica, como diz o último verso.
ilustra a polissemia de obras de arte, inclusive do próprio poema.
Gabarito:
garante não haver razão alguma para a polêmica, como diz o último verso.
a) Alternativa incorreta. Podemos pensar dessa maneira sobre o poema, para isso temos que pensar a arte de maneira global e não fragmentada entre poesia, artes plásticas, etc. Com esse olhar, podemos dizer que há o uso de uma linguagem para falar da mesma linguagem, ou seja, o uso da arte para falar sobre arte.
b) Alternativa incorreta. A obra Monalisa sempre gerou questionamentos sobre a figura ali pintada. Quem seria aquela pessoa, o seu sorriso enigmático são assuntos geralmente discutidos.
c) Alternativa incorreta. Por ser enigmático, o sorriso da mulher retratada pode gerar diversas interpretações.
d) Alternativa correta. O autor propõe a polêmica desde o primeiro verso, salientando o enigma que o sorriso traz. O último verso reitera esse caráter, fazendo da observação da obra uma debate sobre o seu significado.
e) Alternativa incorreta. A multiplicidade de sentidos está presente tanto da obra Gioconda quanto no poema.