(ITA - 2006 - 1ª FASE)
O texto a seguir reproduz as duas estrofes de um dos mais conhecidos poemas do romantismo brasileiro: “Se eu morresse amanhã!”, de Álvares de Azevedo.
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
[...]
Sobre esse poema, pode-se afirmar que
I. ele mostra, de forma clara, o forte teor subjetivo e emotivo da poesia romântica, pois é totalmente centrado no “eu”, na interioridade subjetiva do poeta.
II. o egocentrismo romântico, ligado ao tema da morte, faz com que o poeta lamente de forma emocionada a própria morte, que imagina estar próxima.
III. a emoção excessiva, explicitada pelo uso recorrente dos pontos de exclamação, revela um desejo de fuga da realidade; o mergulho no “eu” é uma forma de opor-se ao problemático mundo exterior.
IV. a obsessão com a morte, tão presente no poema, é uma das formas do escapismo romântico, comumente aplicado ao tema do amor, o qual também possibilita uma fuga da problemática existencial.
Estão CORRETAS
apenas I e II.
apenas I, II e III.
apenas I, II e IV
apenas III e IV
todas
Gabarito:
todas
[E]
I. Correta. O poema focaliza uma experiência totalmente subjetiva: a projeção da própria morte. A partir disso, a visão do "porvir", ou seja, do futuro que o eu lírico espera para si mesmo, se dá numa disposição anímica interna com relação ao fim da vida;
II. Correta. O eu lírico de Álvares de Azevedo faz um lamento prévio à própria morte, afirmando que perderia glória, aurora e manhã. A proximidade da morte pressentida é assinalada pelo vocábulo "amanhã", ainda que o poema opere no plano da hipótese;
III. Correta. Nota-se, no poema, a recorrência de exclamações, que encerram 50% dos versos. Esse recurso, tipicamente romântico, marca a expressividade emotiva do poema, em que o eu paradoxalmente conhece e resolve suas aflições por meio do mergulho subjetivo;
IV. Correta. A morte é um tema central na estética e na poética romântica. Sua consciência é uma espécie de fuga, nesse e em outros poemas, uma vez que sua perspectiva permite pensar as delícias da vida, numa projeção contrária à angústia vivenciada.