(IME - 2020/2021 - 2ª fase)
"A luta é desigual. A força militar decai a um plano interior. Batem-na o homem e a terra. E quando o sertão estua nos bochornos dos estios longos não é difícil prever a quem cabe a vitória. Enquanto o minotauro, impotente e possante, inerme com a sua envergadura de aço e grifos de baionetas, sente a garganta exsicar-se-lhe de sede e, aos primeiros sintomas da fome, reflui à retaguarda, fugindo ante o deserto ameaçador e estéril, aquela flora agressiva abre ao sertanejo um seio carinhoso e amigo." (Texto 1, linhas 70 a 75)
No trecho acima, o autor de "Os Sertões" usa um animal mitológico, o minotauro, para representar
as tropas bem equipadas, em região árida de difícil orientação.
as tropas indefesas, derrotadas em Canudos.
o sertanejo em comunhão com a terra devastada pela seca.
as tropas vencedoras por conhecerem a região de Canudos.
a caatinga personificada como força sobrenatural
Gabarito:
as tropas bem equipadas, em região árida de difícil orientação.
[A]
A figura do minotauro, grande besta mitológica, é evocada por Euclides da Cunha como uma metáfora para os exércitos inimigos dos sertanejos, ou seja, os exércitos oficiais. O autor revela, nessa passagem, a impotência de todo o aparato bélico (“envergadura de aço”, “grifos de baionetas”) diante das condições naturais do sertão, a seca que debilita o inimigo que a desconhece, ao passo que permite aos jagunços nativos a sobrevivência e reação (apesar da inferioridade em força física e condições materiais).