(FUVEST - 2023)
Texto 1:
As últimas décadas vêm sendo marcadas por diversas crises humanitárias a acometer diversas partes do globo, sejam elas guerras, desastres naturais ou doenças. Tais crises acabam por ser responsáveis por uma das situações mais graves, complexas e urgentes a serem solucionadas no mundo, que é a crise de refugiados, um dos maiores desafios da história recente. Apesar de as guerras e conflitos terem ganhado certo destaque e relevância como os grandes agentes causadores de tal fenômeno, esses fatores, apesar de importantes, não formam a principal causa de grande parte do êxodo de refugiados. Ao contrário do senso comum, grande parte dos deslocamentos forçados e refúgios no mundo se dão por desastres naturais como alagamentos, terremotos, vulcões ou ciclones.
https://aun.webhostusp.sti.usp.br/. Adaptado.
Texto 2:

Texto 3:

Texto 4:
Aproximavam-se agora dos lugares habitados, haveriam de achar morada. Não andariam sempre à toa, como ciganos. O vaqueiro ensombrava-se com a ideia de que se dirigia a terras onde talvez não houvesse gado para tratar. Sinhá Vitória tentou sossegá-lo dizendo que ele poderia entregar-se a outras ocupações, e Fabiano estremeceu, voltou-se, estirou os olhos em direção à fazenda abandonada. Recordou-se dos animais feridos e logo afastou a lembrança. Que fazia ali virado para trás?
Vidas Secas. Graciliano Ramos
Texto 5:
Um relatório do Banco Mundial projeta que até o ano de 2050 poderá haver mais de 17 milhões de latino-americanos (2,6% dos habitantes da região ou o equivalente à população do Equador) deslocados pela mudança climática se não forem tomadas medidas concretas para frear seus efeitos. “Os migrantes climáticos se deslocarão de áreas menos viáveis, com pouco acesso à água e produtividade de cultivos, e de áreas afetadas pela elevação do nível do mar e pelas marés de tempestade”, diz o documento. As áreas que sofrerão o golpe mais duro, acrescenta, são as mais pobres e vulneráveis.
https://brasil.elpais.com/internacional/.
Texto 6:
Somos alertados o tempo todo para as consequências das escolhas recentes que fizemos. E se pudermos dar atenção a alguma visão que escape a essa cegueira que estamos vivendo no mundo todo, talvez ela possa abrir nossa mente para alguma cooperação entre os povos, não para salvar os outros, para salvar a nós mesmos.
Ideias para adiar o fim do mundo. Aílton Krenak. Adaptado.
Considerando as ideias apresentadas nos textos e também outras informações que julgar pertinentes, redija uma dissertação em prosa, na qual você exponha seu ponto de vista sobre o tema: Refugiados ambientais e vulnerabilidade social.
Instruções:
Gabarito:
Resolução:
O tema abordado na dissertação em prosa trata da fragilidade social enfrentada pelos refugiados ambientais. Para aprofundar essa temática, foram disponibilizados seis textos como referência. O primeiro texto realizou uma breve análise das crises humanitária ocorridas em diversas regiões do mundo nas últimas décadas. Embora as guerras e as doenças sejam fatores causadores dessas crises, os deslocamentos forçados e os abrigos resultantes de desastres naturais, como enchentes, terremotos, erupções vulcânicas ou ciclones, têm um impacto ainda mais significativo.
No segundo texto, foi apresentado um infográfico divulgado pelo Banco Mundial que projeta um aumento no número de refugiados climáticos até 2050, destacando a África subsaariana como a região mais afetada, seguida pelo Leste Asiático e Pacífico. O terceiro texto trouxe uma imagem retirada do livro “Êxodos”, de Sebastião Salgado, retratando refugiados que caminham aparentemente sem direção, provavelmente em busca de um lugar onde possam encontrar condições dignas de sobrevivência.
O quarto texto apresentou um trecho do romance “Vidas Secas”, escrito por Graciliano Ramos, que narra a trajetória do personagem Fabiano e sua família, forçados a deixar a fazenda abandonada onde restavam apenas animais feridos, e vagam sem rumo em busca de um novo lar. O quinto texto, proveniente do jornal El País, reforçou as projeções do Banco Mundial sobre o possível deslocamento de milhões de latino-americanos que fugirão de áreas desprovidas de recursos naturais e de regiões afetadas pelo aumento do nível do mar e por tempestades. Conforme apontado pelo relatório, as populações mais pobres e vulneráveis serão as mais atingidas.
O último texto destacou as palavras do líder indígena Ailton Krenak, enfatizando a importância de reconhecermos as consequências de nossas escolhas e substituirmos a indiferença pela cooperação entre os povos, visando garantir nossa própria sobrevivência.
A partir da análise dos textos fornecidos, é possível identificar algumas das principais causas das crises humanitárias, incluindo ações humanas. Apesar dos alertas de ambientalistas e especialistas em clima, a exploração irresponsável da natureza tem gerado resultados alarmantes. Isso se manifesta tanto nos conflitos entre países quanto em uma série de doenças ocasionadas pela contaminação da água e do solo, além de tragédias frequentemente anunciadas, como enchentes, terremotos e outros desastres naturais.
Assim como ocorreu ao longo da história, os habitantes mais pobres que vivem em regiões propensas a esses fenômenos serão os mais afetados e se tornarão refugiados. No entanto, é importante ressaltar que a sobrevivência da humanidade, inclusive daqueles mais privilegiados que aparentemente estão imunes às respostas da natureza, está ameaçada, independentemente de seu local de residência ou sensação de proteção.
É fundamental construir um texto que desperte a atenção para as mudanças climáticas que já são perceptíveis em diferentes partes do planeta. Considerando motivar os países que ainda apostam no desenvolvimento irresponsável, ignorando o futuro catastrófico que se aproxima. Além disso, é imprescindível destacar a importância da ação individual dos cidadãos ao adotarem medidas voltadas para a sustentabilidade.