(FUVEST - 2019 - 2 fase - Questão 2)
Observe a tabela:
a) Descreva a situação atual e a tendência futura da área plantada de grãos no Brasil.
b) Há uma correlação entre a atual configuração da produção agrícola e a estrutura fundiária brasileira? Justifique sua
resposta.
c) Considerando os dados da tabela e os vetores de expansão do cultivo de soja no território brasileiro na última década,
aponte duas possíveis consequências deste processo, sendo uma ambiental e outra social.
Gabarito:
Resolução:
a) De 2006 a 2017 a produção de arroz apresentou queda e para o futuro prevê-se ainda mais redução; da mesma forma, o feijão apresentou queda e se manterá nesse ritmo. Ao contrário dos outros grãos citados, o milho é flutuante: apresentou queda na produção de 2006 a 2011 mas teve aumento em 2017; nas previsões, uma leve queda em 2022, seguida de um retorno do aumento para os mesmos níveis anteriores à queda. A soja cresce exponencialmente e o trigo acompanha, mas não no mesmo ritmo.
A tendência futura da área plantada de arroz e feijão é diminuir; a de soja e trigo é aumentar; e a de milho se mantém instável, ora com diminuição, ora com aumento. Os grãos que terão seu plantio incrementado nos próximos anos serão os de maior uso na produção agropecuária: soja (produção de ração para o gado) e milho (para aves). Além disso, o trigo, muito usado na produção de diversos tipos de alimentos dentro do país, aumenta em cultivo, mas devido ao clima, não sobe tanto.
b) A estrutura fundiária do Brasil tem total relação com a configuração da produção agrícola do país. A concentração fundiária existente no país diminui o número de pessoas com acesso à terra e aumenta o tamanho das propriedades (sem contar que uma grande extensão de terras é improdutiva): não permite que pequenas famílias exerçam a agricultura de subsistência (para abastecimento local) e a rotação de culturas, que preservam o solo e a variedade da produção. Muito utilizada nos latifúndios é a monocultura, que impede a manutenção do solo pois o torna infértil rapidamente, comparado ao seu potencial, e toma imensas áreas para a produção de apenas um tipo de planta. Os donos dos latifúndios, grandes proprietários de terra, têm interesses nos âmbitos do mercado, então se concentram em produzir aquilo que mais os vai enriquecer, e geralmente esses produtos são os que se associam à agropecuária: soja para produção de ração e milho. A configuração da produção agrícola brasileira depende daqueles que têm em suas mãos o maior número de terras, os latifundiários, devido à estrutura fundiária concentrada do país.
c) Uma consequência ambiental da produção exponencial de soja seria o desgaste dos solos em que ela é produzida e consequente infertilidade dos mesmos, uma vez que a monocultura acelera o processo de desgaste do solo e a rotação de culturas não é empregada na agricultura latifundiária, e tampouco é dado ao solo um período de “descanso” para que ele se recupere em minerais e nutrientes. Uma consequência social seria o agravamento da concentração fundiária e dos problemas advindos dela: a fome em diversas regiões do país, porque a produção agrícola, que advém dos latifúndios, ou é exportada ou é usada para compor a ração do gado; morte da produção local de diversos minifúndios, que são engolidos pelos grandes ruralistas e suas propriedades imensas, e que aumenta a vulnerabilidade social dos sem-terra, que desejam trabalhar e não têm condição (pois a terra pertence a outrem).