(FUVEST - 2017)
Nasceu o dia e expirou.
Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da noite. Correm lentas e silenciosas no azul do céu, as estrelas, filhas da lua, que esperam a volta da mãe ausente.
Martim se embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua vontade oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a virgem loura dos castos afetos; aqui lhe sorri a virgem morena dos ardentes amores.
Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos negros e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro, e lhe entram n’alma. O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí, fascinado pela serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se debruça enfim sobre o peito do guerreiro.
José de Alencar, Iracema.
No texto, corresponde a uma das convenções com que o Indianismo construía suas representações do indígena
o emprego de sugestões de cunho mitológico compatíveis com o contexto.
Gabarito:
o emprego de sugestões de cunho mitológico compatíveis com o contexto.
a) Alternativa correta. O segundo parágrafo do excerto (“Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da noite. Correm lentas e silenciosas no azul do céu, as estrelas, filhas da lua, que esperam a volta da mãe ausente”) é indicativo da influência das crenças mitológicas dos povos indígenas na observação e interpretação da realidade.
b) Alternativa incorreta. A mulher indígena não é caracterizada como um ser desprovido de vontade própria.
c) Alternativa incorreta. É evidente pela corrente indianista a qual é presente na obra de José de Alencar, a corrente indianista abrange a questão dos mitos em diversas obras a partir do contexto nacionalista do Romantismo, escola que procurava exaltar o índio e o colonizador, entendidos, na óptica dessa vertente, como um dos responsáveis pela formação do povo brasileiro.
d) Alternativa incorreta. Não consta na referência textual o uso de vocabulário arcaico de origem oral.
e) Alternativa incorreta. O fragmento textual acima, de autoria de José de Alencar, da obra "Iracema", apresenta a construção da imagem indígena por meio de mitos, revistos no contexto nacionalista do Romantismo (corrente indianista), a qual procurava exaltar o índio e o colonizador, entendidos, na óptica dessa vertente, como formadores da identidade brasileira. Não é percebida na obra a eliminação da moral frente às práticas eróticas, essa afirmação não está vinculada com o texto.