(FUVEST - 2017)
Se pudesse mudar-se, gritaria bem alto que o roubavam. Aparentemente resignado, sentia um ódio imenso a qualquer coisa que era ao mesmo tempo a campina seca, o patrão, os soldados e os agentes da prefeitura. Tudo na verdade era contra ele. Estava acostumado, tinha a casca muito grossa, mas às vezes se arreliava. Não havia paciência que suportasse tanta coisa.
- Um dia um homem faz besteira e se desgraça.
Graciliano Ramos, Vidas secas.
Tendo em vista as causas que a provocam, a revolta que vem à consciência de Fabiano, apresentada no texto como ainda contida e genérica, encontrará foco e uma expressão coletiva militante e organizada, em época posterior à publicação de Vidas secas, no movimento
carismático de Juazeiro do Norte, orientado pelo Padre Cícero Romão Batista.
das Ligas Camponesas, sob a liderança de Francisco Julião.
do Cangaço, quando chefiado por Virgulino Ferreira da Silva (Lampião).
messiânico de Canudos, conduzido por Antônio Conselheiro.
da Coluna Prestes, encabeçado por Luís Carlos Prestes.
Gabarito:
das Ligas Camponesas, sob a liderança de Francisco Julião.
Fabiano se revolta com as disparidades das contas de Sinhá Vitória e o proprietário quando vai à cidade pagar o que deve a este, pois todas as contas desfavorecem o personagem principal. Isso demonstra a exploração do trabalho e denota a injustiça na distribuição de terras, o que instiga - fora da obra - a militância de sertanejos como Fabiano junto às Ligas Camponesas de Francisco Julião, surgidas em 1945, após a edição do livro.. (É importante lembrar que os demais movimentos citados na questão pré-datam a publicação da obra.)