(FUVEST - 2015) Em certos aspectos, os gregos da Antiguidade foram sempre um povo disperso. Penetraram em pequenos grupos no mundo mediterrânico e, mesmo quando se instalaram e acabaram por dominá-lo, permaneceram desunidos na sua organização política. No tempo de Heródoto, e muito antes dele, encontravam-se colônias gregas não somente em toda a extensão da Grécia atual, como também no litoral do Mar Negro, nas costas da atual Turquia, na Itália do sul e na Sicília oriental, na costa setentrional da África e no litoral mediterrânico da França. No interior desta elipse de uns 2500 km de comprimento, encontravam-se centenas e centenas de comunidades que amiúde diferiam na sua estrutura política e que afirmaram sempre a sua soberania. Nem então nem em nenhuma outra altura, no mundo antigo, houve uma nação, um território nacional único regido por uma lei soberana, que se tenha chamado Grécia (ou um sinônimo de Grécia).
(M. I. Finley. O mundo de Ulisses. Lisboa: Editorial Presença, 1972. Adaptado.)
Com base no texto, pode-se apontar corretamente
a desorganização política da Grécia antiga, que sucumbiu rapidamente ante as investidas militares de povos mais unidos e mais bem preparados para a guerra, como os egípcios e macedônios.
a necessidade de profunda centralização política, como a ocorrida entre os romanos e cartagineses, para que um povo pudesse expandir seu território e difundir sua
produção cultural.
a carência, entre quase todos os povos da Antiguidade, de pensadores políticos, capazes de formular estratégias adequadas de estruturação e unificação do poder político.
a inadequação do uso de conceitos modernos, como nação ou Estado nacional, no estudo sobre a Grécia antiga, que vivia sob outras formas de organização social e política.
a valorização, na Grécia antiga, dos princípios do patriotismo e do nacionalismo, como forma de consolidar política e economicamente o Estado nacional.
Gabarito:
a inadequação do uso de conceitos modernos, como nação ou Estado nacional, no estudo sobre a Grécia antiga, que vivia sob outras formas de organização social e política.
O texto trata da falta de unidade na organização política da Grécia antiga, em decorrência das diversas etnias que existiam no território e diferiam na estrutura política, afirmando sempre sua soberania. "No interior desta elipse de uns 2500km de comprimento, encontravam-se centenas e centenas de comunidades que amiúde diferiam na sua estrutura política e que afirmaram sempre a sua soberania."
A questão induz ao questionamento a respeito do uso do termo "Grécia", quando se refere à antiguidade: "Nem então nem em nenhuma outra altura, no mundo antigo, houve uma nação, um território nacional único regido por uma lei soberana, que se tenha chamado Grécia (ou um sinônimo de Grécia)." Deve-se pensar a Grécia como um aglomerado de diferentes povos não unidos politicamente e não como uma unidade desorganizada. Deve-se considerar "a inadequação do uso de conceitos modernos, como nação ou Estado nacional, no estudo sobre a Grécia antiga, que vivia sob outras formas de organização social e política."
a) a desorganização política da Grécia antiga, que sucumbiu rapidamente ante as investidas militares de povos mais unidos e mais bem preparados para a guerra, como os egípcios e macedônios.
Incorreta. A Grécia encontrou seu declínio, primariamente, com as guerras civis (internas), decorrentes da falta de união política e organização interna, e não pelas invasões de outros povos. Além disso, havia povos gregos muito bem preparados para a guerra, como os espartanos.
b) a necessidade de profunda centralização política, como a ocorrida entre os romanos e cartagineses, para que um povo pudesse expandir seu território e difundir sua produção cultural.
Incorreta. A produção cultural grega foi difundida mesmo sem unidade política. Romanos e cartagineses não se fundiram para uma centralização política, ao contrário, eram povos inimigos e as Guerras Púnicas se deram em decorrência dessas divergências.
c) a carência, entre quase todos os povos da Antiguidade, de pensadores políticos, capazes de formular estratégias adequadas de estruturação e unificação do poder político.
Incorreta. Os povos antigos eram muito férteis em pensadores políticos, especialmente a Grécia. Eles, no entanto, não se ocupavam em "formular estratégias adequadas de estruturação e unificação do poder político", mas sim de pensar as formas de poder e organização política interna e questionar tais estruturas.
d) a inadequação do uso de conceitos modernos, como nação ou Estado nacional, no estudo sobre a Grécia antiga, que vivia sob outras formas de organização social e política.
Correta.
e) a valorização, na Grécia antiga, dos princípios do patriotismo e do nacionalismo, como forma de consolidar política e economicamente o Estado nacional.
Incorreta. O texto fala, justamente, sobre a ausência dessa "valorização [...] dos princípios do patriotismo e do nacionalismo, como forma de consolidar política e economicamente o Estado nacional", principalmente porque não poderia haver esse sentimento de unidade dentro de um território com tamanha diversidade étnica como a Grécia, em que diversos povos se estruturavam politicamente de formas também diversas e, concomitantemente, afirmavam sua própria soberania em relação aos outros.