(FUVEST 2011 - 2 fase) Viver numa grande cidade implica o reconhecimento de múltiplos sinais. Trata-se de uma atividade do olhar, de uma identificação visual, de um saber adquirido, portanto. Se o olhar do transeunte, que fixa fortuitamente uma mulher bonita e viúva ou um grupo de moças voltando do trabalho, pressupõe um conhecimento da cor do luto e das vestimentas operárias, também o olhar do assaltante ou o do policial, buscando ambos a sua presa, implica um conhecimento específico da cidade.
Maria Stella Bresciani, Londres e Paris no século XIX: o espetáculo da pobreza. São Paulo: Brasiliense, 1982, p.16. Adaptado.
O texto mostra como o forte crescimento territorial e demográfico de algumas cidades europeias, no século XIX, redefiniu formas de convivência e sociabilidade de seus habitantes as quais, em alguns casos, persistem até hoje.
a) Cite e explique dois motivos do crescimento de cidades como Londres e Paris, no século XIX.
b) Indique e analise uma característica, dentre as mencionadas no texto, que se faça presente em grandes cidades atuais.
Gabarito:
Resolução:
a) Um dos fatores envolvidos nesses cenários é a industrialização, graças às revoluções industriais a partir do século XVIII, que multiplicaram o número de fábricas nos centros urbanos, cada vez maiores. Nisso, também entra o êxodo rural, devido às oportunidades de trabalho oferecidas por essas indústrias urbanas. Tudo isso leva a uma expansão territorial e demográfica das cidades desses países, graças à população concentrada nelas, o que cria uma ordem social baseada nesses termos. Outro fator seria os avanços científicos relacionados à medicina que ocorreram no período, que puderam diminuir consideravelmente as taxas de mortalidade, como a identificação do bacilo da tuberculose (grande fator de mortalidade na época) e os avanços relativos à microbiologia.
b) “Trata-se de uma atividade do olhar, de uma identificação visual (…) Se o olhar do transeunte, que fixa fortuitamente uma mulher bonita e viúva ou um grupo de moças voltando do trabalho, pressupõe um conhecimento da cor do luto e das vestimentas operárias, também o olhar do assaltante ou o do policial, buscando ambos a sua presa, implica um conhecimento específico da cidade.” Nas grandes cidades atuais, a identificação visual, principalmente por meio da vestimenta, ainda é um elemento verdadeiro, graças às convenções relativas ao trabalho (uniforme) e à vida humana como um todo. Este último pode ser exemplificado tanto pela convenção da cor preta como cor do luto, mas também pelo hábito humano de expressar sua individualidade por meio de roupas, inserindo-se em determinado grupo social ou “tribo”. Ao mesmo tempo, nos grandes centros urbanos atuais, os conflitos entre policiais e assaltantes se encontram ainda mais intensos, graças à alta criminalidade e ao clima punitivista em relação a ela.