(Fuvest 1995) Os sonetos de Bocage que transpõem poeticamente a experiência do autor na região colonial de Goa apresentam alguns traços semelhantes aos dos poemas em que, anteriormente, Gregório de Matos enfocara a sociedade colonial da Bahia. Sob esse aspecto, são traços comuns a ambos os poetas:
presunção de superioridade, crítica da vaidade, preconceito de cor.
sensualismo, crítica da presunção, elogio da mestiçagem
presunção de superioridade, elogio da nobreza local, sátira da mestiçagem.
sensualismo, crítica da nobreza antiga, preconceito de cor.
estilo tropical, crítica da vaidade, elogio da mestiçagem.
Gabarito:
presunção de superioridade, crítica da vaidade, preconceito de cor.
Alguns séculos separam Bocage de Gregório de Matos, contudo, algumas características e temáticas utilizadas em seus poemas fazem com que eles dialoguem de maneira mais intensa. Um ponto em comum é a presunção de superioridade que ambos traziam em suas obras, ambos sentiam-se superiores, seja a outras classes ou outros artistas da época. Gregório, por exemplo, sentia-se superior aos tidos por ele mestiços. Bocage, por sua vez, tinha uma temática, em muitas vezes, autocentrada, como pode ser observado no fragmento abaixo:
Não quero funeral comunidade,
Que engrole sub-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:
Os poetas também trazem abordagens racistas. Como já dito, Gregório sentia-se superior pela sua cor e Bocage, como português, tinha uma lírica que diminuía colonos, como no trecho:
Soneto da cagada
Vae cagar o mestiço e não vae só;
Convida a algum, que esteja no Gará,
E com as longas calças na mão ja
Pede ao cafre canudo e tambió:
Nos poemas religiosos, ambos fazem uma crítica à vaidade, denotando a superioridade de Deus em relação ao humano. Essa característica pode ser observada no seguinte poema de Gregório de Matos:
Lembra-te Deus, que és pó para humilhar-te,
E como o teu baixel sempre fraqueja
Nos mares da vaidade, onde peleja,
Te põe à vista a terra, onde salvar-te.
Alerta, alerta, pois, que o vento berra.
Se assopra a vaidade e incha o pano,
Na proa a terra tens, amaina e ferra