(EsPCEx - 2019)
Influenciados pelo poeta latino Horácio, os poetas árcades costumam reaproveitar dois temas da tradição clássica: o fugere urbem e o aurea mediocritas. Assinale o trecho de Cláudio Manuel da Costa que apresenta essas características:
“Como, ó Céus, para os ver terei constância, / Se cada for me lembra a formosura / Da bela causadora de minha ânsia?”
”Se o bem desta choupana pode tanto, / Que chega a ter mais preço, e mais valia, / Que da cidade o lisonjeiro encanto:”
“Enfim serás cantada, Vila Rica, / Teu nome alegre notícia, e já clamava; / Sufocando do sol a face pura, / Tinha escondido a chama brilhadora.”
”Já rompe, Nise, a matutina aurora / O negro manto, com que a noite escura, / Sufocando do sol a face pura, / Tinha escondido a chama brilhadora.”
“Destes penhascos fez a natureza / O breço, em que nasci: oh quem cuidara, / Que entre penhas tão duras se criara / Uma alma terna, um peito sem dureza.”
Gabarito:
”Se o bem desta choupana pode tanto, / Que chega a ter mais preço, e mais valia, / Que da cidade o lisonjeiro encanto:”
Para responder a questão, deve-se saber:
Fugere urbem: literalmente "fuga da cidade", é um ideal que expressa esse escape como retorno à racionalidade e harmonia naturais;
Aurea mediocritas: postula que uma condição mediana garante tranquilidade, devendo ser preferida a qualquer outra (falta ou excesso).
Assim, temos:
a) Alternativa incorreta. Os versos não tratam sobre fugere urbem ou aurea mediocritas.
b) Alternativa correta. Somente os versos da letra B expressam o ideal da fuga da cidade (a choupana tem "mais preço e mais valia" que o encanto citadino), além do "bem" do casebre como marca da humildade e da medianidade.
c) Alternativa incorreta. Os versos não tratam sobre fugere urbem ou aurea mediocritas.
d) Alternativa incorreta. Os versos não tratam sobre fugere urbem ou aurea mediocritas.
e) Alternativa incorreta. Apesar de exaltar a natureza, não há uma mentalidade ligada ao fugere urbem ou ao aurea mediocritas nesses versos.