(ENEM - 2023)
No Cerrado, o conhecimento local está sendo cada vez mais subordinado à lógica do agronegócio. De um lado, o capital impõe os conhecimentos biotecnológicos, como mecanismo de universalização de práticas agrícolas e de novas tecnologias, e de outro, o modelo capitalista subordina homens e mulheres à lógica do mercado. Assim, as águas, as sementes, os minerais, as terras (bens comuns) tornam-se propriedade privada. Além do mais, há outros fatores negativos, como a mecanização pesada, a “pragatização” dos seres humanos e não humanos, a violência simbólica, a superexploração, as chuvas de veneno e a violência contra a pessoa.
CALAÇA, M.; SILVA, E. B.; JESUS, J. N. Territorialização do agronegócio e subordinação do campesinato no Cerrado. Élisée, Rev. Geo. UEG, n. 1, jan.-jun. 2021 (adaptado).
Os elementos descritos no texto, a respeito da territorialização da produção, demonstram que há um
cerco aos camponeses, inviabilizando a manutenção das condições para a vida.
descaso aos latifundiários, impactando a plantação de alimentos para a exportação.
desprezo ao assalariado, afetando o engajamento dos sindicatos para o trabalhador.
desrespeito aos governantes, comprometendo a criação de empregos para o lavrador.
assédio ao empresariado, dificultando o investimento de maquinários para a produção.
Gabarito:
cerco aos camponeses, inviabilizando a manutenção das condições para a vida.
(A) Correta. O texto descreve um conflito entre as formas tradicionais de produção e a introdução da lógica do agronegócio na região do cerrado. Ao citar que "o conhecimento local está sendo cada vez mais subordinado à lógica do agronegócio" e "o modelo capitalista subordina homens e mulheres à lógica do mercado", o texto mostra que há uma pressão sobre as maneiras tradicionais de vida na região.
(B) Incorreta. O texto não afirma que há um "descaso" aos latifundiários, pelo contrário: O funcionamento do agronegócio está diretamente ligado a esse tipo de propriedade.
(C) Incorreta. Os elementos descrito no texto não citam que há um desprezo aos funcionários assalariados (que são vinculados ao modelo das empresas agrícolas, ou seja, ao agronegócio), e sim um conflito entre diferentes maneiras de se viver e se relacionar com a terra e as plantações.
(D) Incorreta. O texto não cita que há um conflito com os governantes do estados presentes no cerrado, mas sim uma diferença entre os trabalhadores rurais locais e o agronegócio.
(E) Incorreta. O texto não cita um assédio ao empresariado, que está, de forma geral, vinculado ao agronegócio, pelo contrário: Há um assédio a outros trabalhadores por parte dos grandes capitais agrícolas.