(ENEM - 2022)
Vanda vinha do interior de Minas Gerais e de dentro de um livro de Charles Dickens. Sem dinheiro para criá-la, sua mãe a dera, com seus sete anos, a uma conhecida. Ao recebê-la, a mulher perguntou o que a garotinha gostava de comer. Anotou tudo num papel. Mal a mãe virou as costas, no entanto, a fulana amassou a lista e, como uma vilã de folhetim, decretou: “A partir de hoje, você não vai mais nem sentir o cheiro dessas comidas!”. Vanda trabalhou lá até os quinze anos, quando recebeu a carta de uma prima com uma nota de cem cruzeiros, saiu de casa com a roupa do corpo e fugiu num ônibus para São Paulo.
Todas as vezes que eu e minha irmã a importunávamos com nossas demandas de criança mimada, ela nos contava histórias da infância de gata-borralheira, fazia-nos apertar seu nariz quebrado por uma das filhas da “patroa” com um rolo de amassar pão e nos expulsava da cozinha: “Sai pra lá, peste, e me deixa acabar essa janta”.
PRATA, A. Nu de botas. São Paulo: Cia. das Letras, 2013 (adaptado).
Pela ótica do narrador, a trajetória da empregada de sua casa assume um efeito expressivo decorrente
citação a referências literárias tradicionais.
alusão à inocência das crianças da época.
estratégia de questionar a bondade humana.
descrição detalhada das pessoas do interior.
representação anedótica de atos de violência.
Gabarito:
representação anedótica de atos de violência.
a) Alternativa incorreta. Essas referências não são o que conferem o efeito expressivo.
b) Alternativa incorreta. A alusão à inocência não é, por si só, o que confere o efeito expressivo.
c) Alternativa incorreta. Esse questionamento faz parte da trajetória da empregada, mas não é o que confere efeito expressivo.
d) Alternativa incorreta. A descrição não é detalhada.
e) Alternativa correta. O modo como a empregada conta as histórias, de maneira corriqueira, é o que confere o efeito expressivo ao trecho.