(ENEM - 2022)
O bebê de tarlatana rosa
– […] Na terça desliguei-me do grupo e caí no mar alto da depravação, só, com uma roupa leve por cima da pele e todos os maus instintos fustigados. De resto a cidade inteira estava assim. É o momento em que por trás das máscaras as meninas confessam paixões aos rapazes, é o instante em que as ligações mais secretas transparecem, em que a virgindade é dúbia e todos nós a achamos inútil, a honra uma caceteação, o bom senso uma fadiga. Nesse momento tudo é possível, os maiores absurdos, os maiores crimes; nesse momento há um riso que galvaniza os sentidos e o beijo se desata naturalmente.
Eu estava trepidante, com uma ânsia de acanalhar-me, quase mórbida. Nada de raparigas do galarim perfumadas e por demais conhecidas, nada do contato familiar, mas o deboche anônimo, o deboche ritual de chegar, pegar, acabar, continuar. Era ignóbil. Felizmente muita gente sofre do mesmo mal no carnaval.
RIO, J. Dentro da noite. São Paulo: Antíqua, 2002.
No texto, o personagem vincula ao carnaval atitudes e reações coletivas diante das quais expressa
consagração da alegria do povo.
atração e asco perante atitudes libertinas.
espanto com a quantidade de foliões nas ruas.
intenção de confraternizar com desconhecidos.
reconhecimento da festa como manifestação cultural.
Gabarito:
atração e asco perante atitudes libertinas.
a) Alternativa incorreta. O personagem traz imagens do povo alegra, mas não consagra essa alegria em seu discurso.
b) Alternativa correta. Na narração, há um misto de sentimentos perante às práticas realizadas no carnaval.
c) Alternativa incorreta. O personagem não demonstra esse espanto.
d) Alternativa incorreta. Essa é uma das práticas que o texto relata, mas não há necessariamente uma vontade pura de fazer isso.
e) Alternativa incorreta. Não há esse reconhecimento no trecho.