(ENEM DIGITAL - 2020)
O gramático tem uma percepção muito estrita da língua. Ele se vê como alguém que tem de defender a língua da mudança. O problema é que eles, ao se esforçarem para que as pessoas obedeçam às normas da língua, não viram que estavam dando um cala-boca no cidadão brasileiro. Como se dissessem: “Tem de falar e escrever de acordo com as regras. Não fale errado!”. E as pessoas, com medo de não conseguir, falam e escrevem pouco. O dono da língua é o falante, não o gramático. Aprendemos com o falante a língua como ele fala e procuramos saber por que está falando de um jeito ou de outro. Dizer que está falando errado não é uma atitude científica, de descoberta. A linguística substituiu o cala-boca ao prazer da descoberta científica. Foi só com a linguística que se ampliou o olhar e se passou a considerar que qualquer assunto é digno de estudo.
Entrevista de Ataliba de Castilho. Pesquisa Fapesp, n. 259, set. 2017 (adaptado).
Com base na tese defendida na conclusão do texto, infere-se a intenção do autor de
atribuir à gramática os desvios do português brasileiro.
defender uma atitude política diante das regras da língua.
contrapor o trabalho do linguista às prescrições gramaticais.
contribuir para reverter a escassez de produções textuais no país.
isentar o falante da responsabilidade de seguir as normas linguísticas.
Gabarito:
contrapor o trabalho do linguista às prescrições gramaticais.
Ao afirmar que "Foi só com a linguística que se ampliou o olhar e se passou a considerar que qualquer assunto é digno de estudo", o autor deixa claro que, graças à linguística, pôde-se considerar outras variações linguísticas e "desvios gramaticais" enquanto objetos de estudo, levando em conta a preocupação com a esfera social que os estudos linguísticos tomaram de algumas décadas para cá. Por isso, a alternativa correta é a C.