(ENEM DIGITAL - 2020)
Muito do que gastamos (e nos desgastamos) nesse consumismo feroz podia ser negociado com a gente mesmo: uma hora de alegria em troca daquele sapato. Uma tarde de amor em troca da prestação do carro do ano; um fim de semana em família em lugar daquele trabalho extra que está me matando e ainda por cima detesto.
Não sei se sou otimista demais, ou fora da realidade. Mas, à medida que fui gostando mais do meu jeans, camiseta e mocassins, me agitando menos, querendo ter menos, fui ficando mais tranquila e mais divertida. Sapato e roupa simbolizam bem mais do que isso que são: representam uma escolha de vida, uma postura interior.
Nunca fui modelo de nada, graças a Deus. Mas amadurecer me obrigou a fazer muita faxina nos armários da alma e na bolsa também. Resistir a certas tentações é burrice; mas fugir de outras pode ser crescimento, e muito mais alegria.
LUFT, L. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2011.
Nesse texto, há duas ocorrências de dois-pontos. Na primeira, eles anunciam uma enumeração das negociações que podemos fazer conosco. Na segunda, eles introduzem uma
opinião sobre o uso de jeans, camiseta e mocassins.
explicação sobre a simbologia de sapatos e roupas.
conclusão acerca da oposição entre otimismo e realidade.
comparação entre ostentação e conforto em termos de vestuário.
retomada da ideia de negociação discutida no primeiro parágrafo.
Gabarito:
explicação sobre a simbologia de sapatos e roupas.
A) INCORRETA: a opinião não é somente sobre essas peças de roupas, mas sobre o que elas representam: o consumo sempre requerido de algo novo, de objetos novos.
B) CORRETA: na segunda ocorrência dos "dois pontos", "Sapato e roupa simbolizam bem mais do que isso que são: representam uma escolha de vida, uma postura interior", o termo destacado indica que o autor quer explicar o simbolismo presente no sapato e na roupa, diferentemente do primeiro caso, em que se objetiva apenas a enumeração dos fatores.
C) INCORRETA: não se chega a uma conclusão como essa apontada, entre otimismo e realidade, mas sim é feita uma reflexão sobre o que se vê hoje em dia as relações do consumo e do próprio ser.
D) INCORRETA: o objetivo desse texto não é fazer comparação entre ostentação e conforto, mas apontar o paradigma existente na sociedade da relação existente entre o consumo e a autorrealização.
E) INCORRETA: pois na segunda parte vemos que o autor procura debater saídas ou alternativas para que seja contornada tal situação.