(ENEM PPL - 2020)
Vaca Estrela e Boi Fubá
Seu doutô, me dê licença
Pra minha história contar
Hoje eu tô em terra estranha
É bem triste o meu penar
Eu já fui muito feliz
Vivendo no meu lugar
Eu tinha cavalo bão
Gostava de campear
Todo dia eu aboiava
Na porteira do currá [...]
Eu sou fio do Nordeste
Não nego meu naturá
Mas uma seca medonha
Me tangeu de lá pra cá
PATATIVA DO ASSARÉ. Intérpretes: PENA BRANCA; XAVANTINHO; TEIXEIRA, R. Ao vivo em Tatuí. Rio de Janeiro: Kuarup Discos, 1992 (fragmento).
Considerando-se o registro linguístico apresentado, a letra dessa canção
exalta uma forma específica de dizer.
utiliza elementos pouco usuais na língua.
influencia a maneira de falar do povo brasileiro.
discute a diversidade lexical de um dado grupo social.
integra o patrimônio linguístico do português brasileiro.
Gabarito:
integra o patrimônio linguístico do português brasileiro.
A) INCORRETA: não se observa a exaltação de uma forma específica de se dizer no conteúdo do poema, mas sim das características da terra do eu lírico.
B) INCORRETA: os elementos utilizados nesse poema não são inusuais, mas, muito pelo contrário, são presentes no contidiano dos falantes do português. Um dos exemplos disso é o uso da próclise pronominal no primeiro verso "me dê", comumente utilizado, ao invés da ênclise, "dê-me", que é o prescrito pela gramática e pouco usual.
C) INCORRETA: não se pode dizer que a letra dessa canção influencia o modo de falar dos brasileiros, mas apenas reflete como muitos destes utilizam a linguagem corriqueiramente.
D) INCORRETA: o foco desse poema se encontra menos na discussão da diversidade lexical e mais na marcação espaço-temporal do modo de falar de um povo (pessoas que vêm do Nordeste, mas nem todas).
E) CORRETA: uma vez que a letra da canção traz diferentes formas de se falar a língua portuguesa dentro do território nacional, coloca-se em evidências variações linguísticas que por muito tempo foram escondidas, mas que são importantes no momento de constituir a identidade nacional.