(ENEM PPL - 2020)
Razão de ser
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
LEMINSKI, P. Melhores poemas de Paulo Leminski. São Paulo: Global, 2013.
Ao abordar o próprio processo de criação, o poeta recorre a exemplificações com o propósito de representar a escrita como uma atividade que
requer a criatividade do artista.
dispensa explicações racionais.
independe da curiosidade do leitor.
pressupõe a observação da natureza.
decorre da livre associação de imagens.
Gabarito:
dispensa explicações racionais.
A) INCORRETA: não há no poema qualquer indicação que a explicação do poeta para escrever é por causa da sua criatividade, mas suas razões para a escrita se afastam do âmbito criativo e vão para um âmbito mais afastado do método de criação ("o dia amanhece", "eu estou tonto", "eu preciso", etc.).
B) CORRETA: a todo o tempo, o eu lírico demonstra que não há explicações racionais para o porquê de sua escrita, mas sim explicações que não condizem com o meio artístico. Além disso, nos seus últimos versos ele demonstra claramente o a sua ideia geral sobre tudo o que ele disse: "Eu escrevo apenas. / Tem que ter por quê?".
C) INCORRETA: o autor não destaca nenhum elemento para contrapô-lo com a curiosidade. Se ele ressaltasse a curiosidade e, em contraponto, mostrasse que ela não é necessária para o processo criativo, essa alternativa estaria certa. Porém, isso é algo que não ocorre.
D) INCORRETA: a observação da natureza é, de fato, um elemento que o autor selecionou para colocar em seu poema. Mas ela é apenas utilizada a título de comparação com o ato de escrever. Não há uma sequência causal entre a escrita e esta observação natural, como diz a alternativa, mas sim uma comparação: ele escreve sem ter uma explicação, assim como o dia amanhece, a aranha tece teias e o peixe beija e morde o que vê.
E) INCORRETA: assim como foi dito na sentença passada, não há nenhuma relação de causa-consequência que justifique o ato da escrita com a observação/associação de imagens da natureza. A arte de escrever é derivada dela mesma, sem nenhuma explicação, e não de fatores externos que a determinam.