(ENEM - 2020 - PROVA AMARELA)
É possível afirmar que muitas expressões idiomáticas transmitidas pela cultura regional possuem autores anônimos, no entanto, algumas delas surgiram em consequência de contextos históricos bem curiosos. "Aquele é um cabra da peste" é um bom exemplo dessas construções.
Par compreender essa expressão tão repetida no Nordeste brasileiro, faz-se necessário voltar o olhar para o século 16. "Cabra"remete à forma com que os navegadores portugueses chamavam os índios. Já "peste"estaria ligada à questão de superação e resistência, ou mesmo uma associação com o diabo. Assim, com o passar dos anos, passou-se a utilizar tal expressão para denominar qualquer indivíduo que se mostre corajoso, ou mesmo insolente, já que a expressão pode ter caráter positivo ou negativo. Aliás, quem já não ficou de "nhe-nhe-nhém" por aí? O termo, que normalmente tem significado de conversa interminável, monótona ou resmungo, tem origem no tupi-guarani e "nhém" significa "falar.
A leitura do texto permite ao leitor entrar em contato com:
registros do inventário do português brasileiro.
justificativas da variedade linguística do país.
influências da fala do nordestino no uso da língua.
explorações do falar de um grupo social específico.
representações da mudança linguística do português.
Gabarito:
registros do inventário do português brasileiro.
A) CORRETA: A alusão às origens de dois itens lexicais (“cabra da peste” e “nhém-nhém-nhém”) revela o repertório linguístico do português na medida em que mostra um extrato pontual, de itens consolidados, configurado por referências do tupi e do português europeu.
B) INCORRETA: já que não estamos diante de uma justificativa, perceba que é uma explicação sem intenção persuasiva alguma. Além disso, se trata das origens de certas expressões percebidas no português falado, ocorrendo a menção das mesmas, então isso faz com que o leitor tenha contato, como o enunciado fala, com o inventário, ou seja, com os termos, do português brasileiro.
C) INCORRETA: pois o texto não faz uma análise exclusiva da variedade nordestina na cultura popular brasileira, mas também fala da origem dessas variedades, como é possível perceber também uma origem indígena.
D) INCORRETA: não está sendo explorado o modo de falar de um grupo social específico, mas sim o que está sendo trazido são modos de falar de vários grupos sociais presentes no Brasil.
E) INCORRETA: pois, no texto, não há menções a mudanças linguísticas. As frases utilizadas em períodos longíquos continuam sendo usadas hoje, o texto apenas nos apresenta suas origens (os registros do inventário do português brasileiro).