(ENEM - 2020 - PROVA AMARELA)
– O senhor pensa que eu tenho alguma fábrica de dinheiro? (O diretor diz essas coisas a ele, mas olha para todos, como que a dar uma explicação a todos. Todas as caras sorriem.) Quando o seu filho esteve doente, eu o ajudei como pude. Não me peça mais nada. Não me encarregue de pagar as suas contas: já tenho as minhas, e é o que me basta… (Risos).
O diretor tem o rosto escanhoado, a camisa limpa. A palavra possui um tom educado, de pessoa que convive com gente inteligente, causeuse. O rosto do Dr. Rist resplandece, vermelho e glabro. Um que outro tem os olhos no chão, atitude discreta.
Naziazeno espera que ele lhe dê as costas, vá reatar a palestra interrrompida, aquelas observações sobre a questão social, consumismo e integralismo.
MACHADO, D. Os ratos. São Paulo: Circuito do Livro, s/d.
A ficção modernista explorou tipos humanos em situação de conflito social. No fragmento do romancista gaúcho, esse conflito revela a
sujeição moral amplificada pela pobreza.
crise econômica em expansão nas cidades.
falta de diálogo entre patrões e empregados.
perspicácia marcada pela formação intelectual.
tensão política gerada pelas ideologias vigentes.
Gabarito:
sujeição moral amplificada pela pobreza.
A) CORRETA: É uma situação degradante que está sendo narrada na questão, a desigualdade social entre os personagens é palpável. No trecho "Quando seu filho esteve doente, eu o ajudei como pude. Não me peça mais nada. Não me encarregue de pagar as suas contas: já tenho as minhas, e é o que me basta". Assim, conseguimos perceber que a alternativa correta é a letra A, há, portanto, uma sujeição moral amplificada pela pobreza.
B) INCORRETA: não se trata de uma crise econômica, porque não há dados suficientes nesse excerto em que as personagens envolvidas sofrme de algum endividamento ou falta de dinheiro, mas, na verdade, é debatido dse uma delas vai continuar pagando as contas do outra.
C) INCORRETA: pois o que está acontecendo na cena é justamente um diálogo entre o diretor e, o que aparentar ser, o empregado. Só haveria uma crítica à falta de diálogo se o texto demonstrasse essa incapacidade de conversa entre os interlocutores.
D) INCORRETA: podemosd izer que há de fato uma perspicácia de um dos interlocutores marcadas nesse excerto, mas não há nenhum indicativo d que essa perspicácia seja fruto de uma formação intelectual.
E) INCORRETA: porque ressalta uma "tensão política", mas, na verdade, o mais próximo que vemos nesse pequeno trecho é uma "tensão social". Isso é perceptível porque, mesmo que haja uma relação de empregador e empregado, marcado pela figura do diretor e do interlocutor desse trecho, os assuntos que estão sendo tratados são da ordem social (a ajuda que o interlocutor deu ao filho do diretor quando esteve doente, as contas que o empregador pagou, etc.)