(ENEM - 2020 - PROVA AMARELA)

KOSUTH, J. One and Three Chairs. Museu Reina Sofía, Espanha, 1965. Disponível em: www.museoreinasofia.es, Acesso em: 4 jun. 2018 (adaptado).
A obra de Joseph Kosuth data de 1965 e se constitui por uma fotografia de cadeira, uma cadeira exposta e um quadro com o verbete "Cadeira". Trata-se de um exemplo de arte conceitual que revela o paradoxo entre verdade e imitação, já que a arte
não é a realidade, mas uma representação dela.
fundamenta-se na repetição, construindo variações.
não se define, pois depende da interpretação do fruidor.
resiste ao tempo, beneficiada por múltiplas formas de registro.
redesenha a verdade, aproximando-se das definições lexicais.
Gabarito:
não é a realidade, mas uma representação dela.
A) CORRETA: A foto da cadeira não é a real cadeira, consoante o paradoxo da mimesis, em que a arte é apenas uma representação da realidade, mas não a realidade em si. A arte provoca essa reflexão com o jogo entre a realidade (a cadeira em si) e as diferentes formas de sua representação (a imagem da cadeira e o verbete).
B) INCORRETA: porque é dito que a arte se caracteriza pela repetição, quando, na verdade, existe uma criatividade gigantesca envolvida no processo e toda uma variedade enorme de obras produzidas a todo o tempo.
C) INCORRETA: porque essa alternativa fazendo um paralelo entre o verbete de dicionário colocado ao lado da cadeira e uma abordagem muito pós-moderna de arte, que não é verdadeira, de que a arte não se define. Isso está incorreto já que a arte tem limites, assim como todo campo de estudo, um conceito aberto de arte não significa exatamente que tudo pode ser arte. Podemos pensar, por exemplo, que existem limites e características para cada movimento e momento artístico, por isso estudamos as vanguardas e movimentos artísticos.
D) INCORRETA: porque não se adequa à proposta do autor, uma vez que, na imagem, o artista pretende debater a ideia de mimesis, isto é, da imitação que a arte faz do mundo real (ao colocar a imagem da cadeira, o seu conceito e sua foto). Não há nada, no conceito, na imagem ou na própria cadeira que nos permite inferir que a arte resiste ao tempo, até porque a imagem da cadeira pode pegar fogo, o conceito pode mudar e a cadeira pode ser quebrada.
E) INCORRETA: não está sendo pensado na arte como uma redesenhadora da verdade. Isso porque a relação entre a imagem da cadeira, a cadeira prorpiamente dita e o seu conceito é uma relação arbitrária, ou seja, feita pelo próprio ser humano. A arte demonstra somente que há diversas formas de representar uma coisa, a "cadeira", mas nenhuma delas será de fato a realidade.