(ENEM PPL - 2013)
No alvorecer do século XX, o Rio de Janeiro sofreu, de fato, uma intervenção que alterou profundamente sua fisionomia e estrutura, e que repercutiu como um terremoto nas condições de vida da população.
BENCHIMOL, J. Reforma urbana e Revolta da Vacina na cidade do Rio de Janeiro. In: FERREIRA, J.; DELGADO, L. A.N. O Brasil republicano: o tempo do liberalismo excludente. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.
O texto refere-se à reforma urbanística ocorrida na capital da República, na qual a ação governamental e seu resultado social encontram-se na:
Cobrança de impostos — ocupação da periferia.
Destruição de cortiços — revolta da população pobre.
Criação do transporte de massa — ampliação das favelas.
Construção de hospitais públicos — insatisfação da elite urbana.
Edificação de novas moradias — concentração de trabalhadores.
Gabarito:
Destruição de cortiços — revolta da população pobre.
a) Cobrança de impostos — ocupação da periferia.
Incorreto. A ação do governo não foi a cobrança de impostos, mas sim a desocupação e destruição dos cortiços e casebres da região central do Rio de Janeiro, onde viviam as populações mais pobres e que tiveram que ir ocupando as periferias como consequência disso.
b) Destruição de cortiços — revolta da população pobre.
Correto. A reurbanização do Rio de Janeiro, no período da Revolta da Vacina, sacrificou as camadas mais pobres da cidade, que foram desalojadas, pois tiveram seus casebres e cortiços demolidos para a ampliação das ruas, avenidas e o combate das doenças que estavam sendo disseminadas naquele momento. A população foi obrigada a mudar para longe do trabalho e para os morros, incrementando a construção das favelas. Esse fator resultou na revolta da população mais pobre, que, além de serem desalojadas dos locais onde viviam, ainda tinham de enfrentar a onda de aumento dos aluguéis naquela região. Além de que, outro fator que gerava revolta nessas pessoas era o fato de que a campanha de saneamento estava sendo realizada com autoritarismo, com as casas sendo invadidas e vasculhadas pelas pessoas do governo. E sem nenhum esclarecimento sobre a importância da vacina ou da higiene.
c) Criação do transporte de massa — ampliação das favelas.
Incorreto. A Revolta em questão não teve relação com a criação do transporte de massa, mas sim com um "saneamento" social e higiênico da área central da cidade do Rio de Janeiro.
d) Construção de hospitais públicos — insatisfação da elite urbana.
Incorreto. Embora tenha ocorrido construções e melhorias nos hospitais em resposta à Revolta da Vacina, elas não foram diretamente responsáveis pela revolta em si. E a elite urbana não estava insatisfeita assim com o cenário, dado que agora estavam conseguindo empurrar as populações mais pobres para as periferias e ocuparem a área central da cidade com o aumento dos alugueis.
e) Edificação de novas moradias — concentração de trabalhadores.
Incorreto. O governo destruiu as moradias precárias do centro da cidade mas não forneceu novas moradias para as pessoas que vivam nelas, o que fez com que as pessoas que viviam nesses lugares fossem ocupando cada vez mais as periferias e construindo casebres nessas regiões mais baratas e com baixas condições de vida.