(ENEM/2011)
Subjaz na propaganda tanto política quanto comercial a ideia de que as massas podem ser conquistadas, dominadas e conduzidas, e, por isso, toda e qualquer propaganda tem um traço de coerção. Nesse sentido, a filósofa Hanna Arendt diz que “não apenas a propaganda política, mas toda a moderna publicidade de massa contém um elemento de coerção".
AGUIAR, O. A. Veracidade e propaganda em Hannah Arendt. In: Cadernos de Ética e Filosofia Política 10. São Paulo: EdUSP, 2007 (adaptado).
À luz do texto, qual a implicação da publicidade de massa para a democracia contemporânea?
O fortalecimento da sociedade civil.
A transparência política das ações do Estado.
A dissociação entre os domínios retóricos e a política.
O combate às práticas de distorção de informações.
O declínio do debate político na esfera pública.
Gabarito:
O declínio do debate político na esfera pública.
O texto afirma que a propaganda, comercial ou política, sempre apresenta caráter coercitivo. A publicidade de massa, enquanto mecanismo de controle da população, implica, para a democracia contemporânea, o declínio do debate político na esfera pública, uma vez que é capaz de conquistar e conduzir as massas, orientando o pensamento e as ações dos indivíduos. Assim, o debate político, que emerge diante do confronto de opiniões, se mantém apagado frente às expressões propagandísticas da mídia, que incutem na população as ideias que desejam promover.
A: A publicidade de massa, marcada sempre pela coerção, não leva ao fortalecimento da sociedade civil.
B e D: A publicidade apresenta ao público aquilo que deseja, e não necessariamente a verdade. Desse modo, pode ocultar informações sobre a atuação do Estado, ou seja, colaborar para a ausência de transparência política, assim como corrobora com as práticas de distorção de informações.
C: A publicidade de massa não provoca um distanciamento entre o discurso e a política, mas elimina a necessidade do discurso, pois é formadora de opinião.