(ENEM PPL - 2009)
Desencaixotando Machado: a crônica está no detalhe, no mínimo, no escondido, naquilo que aos olhos comuns pode não significar nada, mas, uma palavra daqui, "uma reminiscência clássica" dali, e coloca–se de pé uma obra delicada de observação absolutamente pessoal. O borogodó está no que o cronista escolhe como tema. Nada de engomar o verbo. É um rabo de arraia na pompa literária. Um "falar à fresca", como o bruxo do Cosme Velho pedia. Muitas vezes uma crônica brilha, gloriosa, mesmo que o autor esteja declarando, como é comum, a falta de qualquer assunto. Não vale o que está escrito, mas como está escrito.
SANTOS, Joaquim Ferreira dos (org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005, p.17.
Em As Cem Melhores Crônicas Brasileiras, Joaquim Ferreira dos Santos argumenta contra a ideia de que a crônica é um gênero menor. De acordo com o fragmento apresentado acima, a crônica
é um gênero literário importante, mas inferior ao romance e ao drama.
apresenta características semelhantes a construções literárias de vanguarda.
impõe–se como Literatura, apresentando características estéticas específicas.
tem sua organização influenciada pelo tempo e pela sociedade em que está inserida.
é o texto preferido pelo homem do povo, que aprecia leituras simples e temas corriqueiros.
Gabarito:
impõe–se como Literatura, apresentando características estéticas específicas.
A) INCORRETA: não é feita nenhuma comparação da crônica com outros gêneros, como o romance ou o drama.
B) INCORRETA: as características de vanguardar são diferentes de características de gêneros textuais. O texto está explorando somente as características desses gêneros textuais.
C) CORRETA: ao longo do fragmento, são apresentadas algumas características do gênero crônica, enquanto o autor do fragmento vai fazendo uma valorização desse gênero textual. Além disso, vê-se que é imposto como literatura importante ao ser destacado, no fragmento, que "Muitas vezes uma crônica brilha, gloriosa, mesmo que o autor esteja declarando, como é comum, a falta de qualquer assunto".
D) INCORRETA: pois a composição do gênero é anacrônico, ou seja, o mesmo gênero crônica que era aplicado na época de Machado de Assis continua sendo aplicado nos dias de hoje. Somente a temática que vai se diversificando em detrimento da sociedade que está inserido.
E) INCORRETA: por mais que o tema seja simples e a linguagem também, não há nada no texto que demonstre que a crônica é o tema predileto do homem comum, mas é dito, na verdade, que a crônica escreve no detalhe, "naquilo que aos olhos comuns pode não significar nada".