(Enem cancelado 2009)
Manuel Bandeira
Filho de engenheiro, Manuel Bandeira foi obrigado abandonar os estudos de arquitetura por causa da tuberculose. Mas a iminência da morte não marcou de forma lúgubre sua obra, embora em seu humor lírico haja sempre um toque de funda melancolia, e na sua poesia haja sempre um certo toque de morbidez, até no erotismo.
Tradutor de autores como Marcel Proust e William Shakespeare, esse nosso Manuel traduziu mesmo foi a nostalgia do paraíso cotidiano mal idealizado por nós, brasileiros, órfãos de um país imaginário, nossa Cocanha perdida, Pasárgada. Descrever seu retrato em palavras é uma tarefa impossível, depois que ele mesmo já o fez tão bem em versos.
Revista Língua Portuguesa, n° 40, fev. 20
A coesão do texto é construída principalmente a partir do (a)
repetição de palavras e expressões que entrelaçam as informações apresentadas no texto.
substituição de palavras por sinônimos como “lúgubre” e “morbidez”, “melancolia” e “nostalgia”.
emprego de pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos: “sua”, “seu”, “esse”, “nosso”, “ele”.
emprego de diversas conjunções subordinativas que articulam as orações e períodos que compõem o texto.
emprego de expressões que indicam sequência, progressividade, como “iminência”, “sempre”, “depois”.
Gabarito:
emprego de pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos: “sua”, “seu”, “esse”, “nosso”, “ele”.
Os elementos de coesão responsáveis pela articulação entre as diferentes passagens de um texto. Um texto possui coesão quando há conexão entre as partes que o constituem. No excerto sobre Manuel Bandeira, o remetente utiliza: os pronomes possessivos sua e seu, como em sua obra, seu humor lírico e na sua poesia; o pronome demonstrativo esse, como em esse nosso Manuel; o pronome pessoal do caso reto ele como em depois que ele mesmo, que ajudam a elaborar um texto coeso, resgatando expressões utilizadas anteriormente (recurso chamado de anáfora, isto é, a retomada de termos já citados) e evitando repetições desnecessárias, mas ainda deixando o texto compreensível e com uma progressão natural. Por isso a alternativa correta é a letra C.
Sobre as outras alternativas, podemos afirmar:
a) Alternativa incorreta. Não é possível perceber a repetição de termos no texto, logo, não é um recurso de coesão utilizado nele.
b) Alternativa incorreta. Por mais que a utilização de sinônimos ou termos com valores parecidos ocorra no texto, são poucas as vezes em que ocorre e, portanto, não é a principal fonte de coesão do texto.
d) Alternativa incorreta. É possível perceber algumas conjunções, como mas e embora, mas elas não são tão recorrentes (e, por exemplo, no caso de "Mas a iminência da morte não marcou de forma lúgubre sua obra", trata-se de uma oração coordenada), por isso, não são a principal ofnte de coesão do texto.
e) Alternativa incorreta. O termo iminênica é um substantivo que não auxilia na progressão textual, além de o advério sempre estar sendo utilizado dentro da história contada pelo texto, e não para auxiliar na progressão.