(ENEM - 2009)
Oximoro, ou paradoxismo, é uma figura de retórica em que se combinam palavras de sentido oposto que parecem excluir-se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão.
Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa.
Considerando a definição apresentada, o fragmento poético da obra Cantares, de Hilda Hilst, publicada em 2004, em que pode ser encontrada a referida figura de retórica é:
“Dos dois contemplo
rigor e fixidez.
Passado e sentimento
me contemplam” (p. 91).
“De sol e lua
De fogo e vento
Te enlaço” (p. 101).
“Areia, vou sorvendo
A água do teu rio” (p. 93).
“Ritualiza a matança
de quem só te deu vida.
E me deixa viver
nessa que morre” (p. 62).
“O bisturi e o verso.
Dois instrumentos
entre as minhas mãos” (p. 95).
Gabarito:
“Ritualiza a matança
de quem só te deu vida.
E me deixa viver
nessa que morre” (p. 62).
[D]
“Ritualiza a matança
de quem só te deu vida.
E me deixa viver
nessa que morre” (p. 62).
A presença dos sentidos opostos de "vida" e "morte" constituem um oxímoro nesses versos, uma vez que a expressão "viver nessa que morre" ganha um novo sentido poético a partir da união aparentemente paradoxal.
Comentário das demais alternativas:
a) Os pares "rigor/fixidez" e "passado/sentimento" não apresentam campos de sentido opostos, o que impede que se caracterizem como oxímoros;
b) A relação aparentemente oposta de "sol" e "lua", bem como de "fogo" e "vento", não criam um novo sentido, que "reforça a expressão", pois são apenas a somatória dos pares de elementos, em forma de mosaico;
c) Não há elementos opostos ou díspares nesses versos. "água" e "areia" são elementos complementares, que não se opõem entre si semanticamente;
e) Não há elementos opostos ou díspares nesses versos. "verso" e "bisturi" não apresentam relação aparente de paradoxo.